
Um.
Um.
Sentei em minha cama ofegante, como se tivesse corrido uma maratona. Meu corpo estava soado, -mesmo com a noite fria e densa ao lado de fora- e minha cabeça doía. Mais uma noite de pesadelos do dia em que meus pais morreram. Olhei para o lado para ver se minha colega de quarto, Amy Roberts ainda estava dormindo. Amy roncava baixinho em sua cama ao meu lado.
Amy esta comigo desde meus oito anos. No começo, quando vim para cá, não tinha nenhuma menina para dividir quarto comigo. Não importava muito, sempre gostei de ficar sozinha. Mas quando Amy chegou três anos depois, tudo mudou. Eu contava tudo para ela, e ela contava tudo para mim. O caso dela era totalmente diferente do meu. Amy perdera o pai, e sua mãe não queria mais saber de nada, então, botou ela no Colégio interno. Não fazia muito sentido, mas era o que sempre dizia. Amy tem a mesma idade que a mim. Nós nunca fomos muito parecidas. Amy é morena dos olhos claros, e eu sou loira dos olhos castanhos.
Levantei-me de vagar, tentando respirar um pouco e tirar as terríveis imagens de minha cabeça. A luz que vinha da janela afirmava que ainda estava de madrugada, então não me importei de ter acordado àquela hora. Fui caminhando na ponta dos pés ate a janela, na intenção de não acordar Amy. A neve caia ao lado de fora, fazendo uma textura de rigidez no vidro da janela. Ao lado de fora, o campus estava coberto por flocos de uma tempestade que já iria fazer dois dias. Os chafarizes estavam congelados, e pequenos pingentes se formavam nas folhas dos grandes carvalhos. Aquela paisagem me impressionava á 11 anos, quase 12.
Já vai fazer 12 anos. Pensei comigo mesma. Desde meus cinco anos estou nesse internato no centro da Inglaterra. Depois de tanto tempo, pensei que não era tão ruim assim. Tenho amigos para sempre. Bem… Ate fazermos 18 anos e sairmos daqui. Mas sei que continuaremos nos vendo.
Tia Clarisse me disse que assim que sair sua casa estará de braços abertos para me receber. Mais ainda tinha um ano, quase dois.
Ouvi um barulho estrondoso vir de dentro de mim, mas não me assustei muito. Nos últimos meses tenho acordado a essa hora todas as noites, e sempre com a barriga roncando. Convenci-me que fosse a fome, então sem fazer muito barulho peguei meu roupão e sai do quarto na ponta dos pés.
Todos os empregados do Internato me conhecem. Claro, estou aqui vai fazer 12 anos. Vários empregados já saíram e já entraram desse internato, e já fiz amizade com todos. Se me vissem andando pelos corredores não brigariam, muito ao contrario, até ofereceriam um sanduíche de creme de amendoim.
Desci os corredores pouco clareados até o refeitório, rezando para não encontrar ninguém lá além dos empregados. Talvez nem eles, mas congelei quando passei pela pesada porta e me deparei com um homem sentado em uma mesa bem distante de mim, com uma xícara de café na mão, e um prato de biscoitos ao lado.
sábado, 25 de setembro de 2010
Do olhar a Sedução.- Um
Postado por Hellen Pimentel e Ana caroline às 11:38
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