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sábado, 25 de setembro de 2010

Do olhar a Sedução.- Prólogo.



Era noite de inverno na minha amada Inglaterra. A neve caia na soleira de minha janela, enquanto eu tentava dormir de baixo de meus pesados cobertores. Eu tinha cinco anos, quando minha mãe morreu. Estava dormindo em meu quarto, a qual ficava do lado do quarto de meus pais. Logo pela manha, ouvi um barulho enorme vindo do andar de baixo, e logo depois, gritos e pessoas correndo. Tentei não ficar com medo, então fui ate a porta, que dava para o corredor dos quartos de cima, quando percebi que a correria mesmo vinha do andar de baixo. Corri para lá, e como um tapa na cara (não que naquela época eu já ganhara um tapa na cara), vi minha mãe, Mandy, estirada no tapete da sala de estar, e meu pai em cima dela como um louco. Todos ali em volta, olhavam horrorizados com o que viam. Eu não era a única.
Desci as escadas quase às rolando, e abraçando minha mãe, quando percebi que ela estava banhada de sangue, e uma arma ao seu lado, perto da mão do meu pai. Seu rosto de porcelana estava relaxado e tranqüilo. O que eu vi não parecia real. Eu pensei que estava sonhando por um segundo, ate algumas pessoas me puxarem pelos braços, me tirando da sala rapidamente. E eu não chorei. Eu não aprendi a chorar.
Os empregados estavam pálidos, atrás da casa, para onde me levaram. Vi que era minha tia Clarisse quem tinha me tirado de lá. Seus olhos estavam avermelhados, e com um tanto de raiva. Em algum ponto de mim, eu não queria aceitar, nem acreditar no acontecera. Minha tia Clarisse, parecia muito com minha mãe. Ate porque eram irmãs. O rosto desenhado como de uma fada bailarina. Os olhos claros e bem delineados. A boca naturalmente avermelhada, e os cabelos loiros aveludados.
Comentários a minha volta faziam aprofundar minha ferida, e cada segundo a mais eu tinha a plena certeza de que minha mãe estava morta. E o dia demorou a passar. Olhei para o jardim atrás de mim, coberto por flocos de neve. Meus pensamentos pairaram junto ao vento, quando da sala, veio outro barulho como o de antes, e outros gritos, e outros berros. Senti um arrepio nascer por minha espinha.
E eu não chorei. Eu não prendi a chorar.

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